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A MPU* de Jorge Drexler

Jorge Drexler, ganhador do Oscar de Melhor Canção, pela música do filme Diário de Motocicleta, esteve em São Paulo para um único show no Teatro SESC Pinheiros no dia 04 de setembro. O repertório do show foi baseado nas músicas de seu último disco, 12 Segundos de Oscuridad, e como não podia deixar de ser, cantou a oscarizada Al Otro Lado Del Rio, em versão a capela, como já havia feito em protesto na cerimônia de entrega do prêmio. A percepção que se tem da música latina, no Brasil, está fincada nos estereótipos do romantismo derramado do tango e do bolero, na suposta sensualidade da salsa e do merengue, na canção política de Mercedes Sosa, Violeta Parra, Victor Jara e da nueva trova cubana, além da cultura machista. Uma geração anterior a Drexler já trouxe outros elementos a nossa percepção. Falo em Soda Stereo, Café Tacuba, Fito Paez, Aterciopelado, Illia Kuriakin e os Valderramas, mas no que há de rock'n'roll nessa geração, ainda permanece um certo estereótipo do macho latino-americano. A música de Drexler se alia a outros pares na revitalização da música no continente, como os também uruguaios Bajo Fondo Tango Club e dos argentinos Gustavo Santaolalla e Juana Molina. Apesar de temática similar, o grupo argentino Gotan Project é muito clichê e tem agradado apenas a publicitários e outros profissionais afins. Em todos nota-se uma outra sensibilidade, mais delicada e gentil, uma imagem e sonoridade pouco usual em nuestra latino america. Em seu show, Jorge apresenta-se sozinho no palco, com seu técnico de som disparando bases eletrônicas suaves e esparsas – que cresceriam mais se abandonasse a perspectiva chapada dos PAs da vida, espacializando esses timbres pela sala - enquantro o próprio cantor constroi pequenos loops ao vivo acionando seus pedais. Com isso vai construindo camadas sonoras com sua voz em contraponto com seu violão, de acordes simples, mas com uma sonoridade extremamente original explorando os recursos de sua amplificação. Dizia-se nos anos 70, que o violão de Gilberto Gil era uma síntese de João Gilberto e Jimi Hendrix. Jorge Drexler, embora sem o mesmo virtuosismo de Gil, acrescenta um novo elemento ao instrumento: a eletrônica, que ainda poderá gerar novos frutos. Um detaque de seu repertório foram as versões para Sampa, de Caetano Veloso; High and Dry, de Radiohead; e, grande surpresa, Disneylândia, dos Titãs (o tempo ainda irá provar que Tudo Ao MesmoTempo Agora e Titanomaquia são dos melhores discos da banda, como já o disse Lulu Santos em entrevista à revista Bizz). Drexler tem se aproximado cada vez mais da música brasileira, desde seu primeiro contato com Paulinho Moska e nesta turnê se apresentará ao lado de Arnaldo Antunes. Precisa tomar cuidado com seus novos parceiros e amigos, a escolha no entanto de Disneylândia, leva a crer que seus ouvidos são um pouco mais aguçados. Assim esperamos. 

* Música Popular Uruguaia



Escrito por sérgio pinto às 01h19
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