KARLHEINZ STOCKHAUSEN (1928-2007)
MUSIC ... STOP!
Escrito por sérgio pinto às 00h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Pierre Henry & Festival Música Nova
O edifício da música concreta contou com dois Pedros em sua fundação (Pierre Schaeffer e Pierre Henry) e dependendo do ângulo que se analise, os papéis de Deus e Diabo se alternam. Schaeffer foi técnico de estúdio na Rádio e Televisão Francesa e dissecou a estrutura dos sons e de nossa escuta, escrevendo tratados fundamentais para a música do século XX. Henry, treinado em violino no Conservatório de Paris, escreveu avalassadoramente, de missas a música pop, desenvolvendo parcerias com artistas tão díspares como Bejart, Alwin Nikolais, Merce Cunningham, o próprio Schaeffer e Michel Colombine. Se vivo fosse, Schaeffer estaria em algum posto de diretor de centro de pesquisa ou num alto cargo na universidade francesa. Henry, coerente com seu tempo, trabalha em seu estúdio particular - não é como o seu ou meu estúdio, mas é dele, de qualquer forma - e estabeleceu residência no prestigiado ZKM. Quando veio ao Brasil, nos anos 80, Schaeffer - azedo e mau humorado - desaprovou sua produção e desencorajou quem quisesse fazer música eletroacústica, alçando o violino às estrelas. Henry não pode vir ao Brasil, sua idade avançada e problemas de saúde o impedem de fazer viagens longas de avião, mas enviou seu filho, David Henry, e seu assistente, Etienne Bultingaire. Enquanto o artista búlgaro Christo embala monumentos arquitetônicos, Henry recheou o Auditório do Ibirapuera, nos dias 5 e 6 de setembro, com cerca de uma centena de caixas acústicas, apontadas para todas as direções da sala, para a difusão de sua música, fazendo qualquer experiência de espacialização sonora feita por aqui parecer um 3-em-1 Toshiba. As obras apresentadas guardavam certa simplicidade, sua composição beirava o descritivo, mas sua projeção era palpável, as camadas sonoras nos massageavam o corpo, era quase possível ver os sons dançando na sala, se delocando de um ponto a outro. Virou clichê qualquer DJ ou produtor de dance music eletrônica se dizer influenciado por Stockhausen, quando na verdade é Henry que está mais próximo deste universo, mais do que qualquer outro pioneiro eletrônico. Talvez seja justamente essa aproximação dos músicos pop à música de Henry que fez com que certo establishment musical contemporâneo desta aldeia tapuia não tenha prestigiado sua apresentação e não ter atribuído a ele o nome maior desta edição do Festival Música Nova, responsável por sua vinda, mas sim ao Arditti Quartet, mais por interpretar luminares desta aldeia do que por seus méritos mais que reconhecidos. A França cunhou uma bela expressão para designar certa produção eletroacústica: cinema para os ouvidos. Pois então se compararmos a obra e trajetória dos Pedros concretos com a dos pioneiros do cinema, podemos dizer que Schaeffer é o Lumiere da música concreta, enquanto Henry, nosso Méliès sonoro, nos embala com sua magia.
Escrito por sérgio pinto às 01h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A MPU* de Jorge Drexler
Jorge Drexler, ganhador do Oscar de Melhor Canção, pela música do filme Diário de Motocicleta, esteve em São Paulo para um único show no Teatro SESC Pinheiros no dia 04 de setembro. O repertório do show foi baseado nas músicas de seu último disco, 12 Segundos de Oscuridad, e como não podia deixar de ser, cantou a oscarizada Al Otro Lado Del Rio, em versão a capela, como já havia feito em protesto na cerimônia de entrega do prêmio. A percepção que se tem da música latina, no Brasil, está fincada nos estereótipos do romantismo derramado do tango e do bolero, na suposta sensualidade da salsa e do merengue, na canção política de Mercedes Sosa, Violeta Parra, Victor Jara e da nueva trova cubana, além da cultura machista. Uma geração anterior a Drexler já trouxe outros elementos a nossa percepção. Falo em Soda Stereo, Café Tacuba, Fito Paez, Aterciopelado, Illia Kuriakin e os Valderramas, mas no que há de rock'n'roll nessa geração, ainda permanece um certo estereótipo do macho latino-americano. A música de Drexler se alia a outros pares na revitalização da música no continente, como os também uruguaios Bajo Fondo Tango Club e dos argentinos Gustavo Santaolalla e Juana Molina. Apesar de temática similar, o grupo argentino Gotan Project é muito clichê e tem agradado apenas a publicitários e outros profissionais afins. Em todos nota-se uma outra sensibilidade, mais delicada e gentil, uma imagem e sonoridade pouco usual em nuestra latino america. Em seu show, Jorge apresenta-se sozinho no palco, com seu técnico de som disparando bases eletrônicas suaves e esparsas – que cresceriam mais se abandonasse a perspectiva chapada dos PAs da vida, espacializando esses timbres pela sala - enquantro o próprio cantor constroi pequenos loops ao vivo acionando seus pedais. Com isso vai construindo camadas sonoras com sua voz em contraponto com seu violão, de acordes simples, mas com uma sonoridade extremamente original explorando os recursos de sua amplificação. Dizia-se nos anos 70, que o violão de Gilberto Gil era uma síntese de João Gilberto e Jimi Hendrix. Jorge Drexler, embora sem o mesmo virtuosismo de Gil, acrescenta um novo elemento ao instrumento: a eletrônica, que ainda poderá gerar novos frutos. Um detaque de seu repertório foram as versões para Sampa, de Caetano Veloso; High and Dry, de Radiohead; e, grande surpresa, Disneylândia, dos Titãs (o tempo ainda irá provar que Tudo Ao MesmoTempo Agora e Titanomaquia são dos melhores discos da banda, como já o disse Lulu Santos em entrevista à revista Bizz). Drexler tem se aproximado cada vez mais da música brasileira, desde seu primeiro contato com Paulinho Moska e nesta turnê se apresentará ao lado de Arnaldo Antunes. Precisa tomar cuidado com seus novos parceiros e amigos, a escolha no entanto de Disneylândia, leva a crer que seus ouvidos são um pouco mais aguçados. Assim esperamos.
* Música Popular Uruguaia
Escrito por sérgio pinto às 01h19
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Fica Gil
Depois de muito tempo é que volto a postar uma mensagem. Embora seja para comentar uma notícia já velha, o faço por um motivo cívico. Venho fazer coro às manifestações ocorridas durante o Fórum Cultural Mundial (novembro de 2006) em apoio a Gilberto Gil, nosso Ministro da Cultura. Pois àquela altura, algumas personalidades de nossa rica cultura nacional, lançaram o movimento Fica Gil. A minha modesta contribuição nessa discussão é ampliar o slogan para
FICA (EM CASA) GIL!
Escrito por Datilografado por sérgio pinto às 23h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Falar sobre música é besteira, fazer é loucura
A frase acima deslocada de seu contexto não passa de uma mera blague de Walter Smetak, suíço filho de tchecos que ganhou sua nacionalidade baiana graças ao convite de H.J.Koellreutter para lecionar na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. Você pode não ter ouvido diretamente sua música, mas o conhece através de Tom Zé, Marco Antonio Guimarães e Uakti, Wilson Sukorski e Fernando Sardo. Você também pode ter lido comentários elogiosos a seu respeito por intermédio de Gil e Caetano, ou mesmo ouvido este último cantar seu nome em uma velha canção dos anos 70 - ê ê ê ê ê... smetak... Mas desista de procurar algo dele em suas obras, seu repertório é muito sofisticado para as canções de Caetano e Gil. Violoncelista, compositor, estudioso da teosofia, inventor de instrumentos, Smetak criou ainda as plásticas sonoras - esculturas/objetos/assemblages de elementos naturais como a cabaça - sua mais intrigante obra. Eu confesso desconhecer o contexto da frase acima, mas é sempre a ela que se referem para apontar as idiossincrasias de um autor tão singular. Frases soltas e enigmáticas servem também para criar auras místicas em torno daquilo que não fazemos a mínima idéia do que se trata ou reforçar nosso suposto eruditismo e sapiência a quem nos ouve. Falar sobre música pode ser besteira para quem a faz, já que o grau de envolvimento em sua criação consome tanta energia que o silêncio é um descanso mental mais do que merecido. Falar de seu próprio trabalho também é um ato difícil, tratando-se de música. Há uma lenda de um determinado compositor que, após tocar sua música ao piano, ao ser interpelado por um dos ouvintes a respeito do que queria dizer com aquela obra, voltou ao instrumento e a executou novamente. Mesmo sendo besteira, falar sobre música é o motivo da existência desse blog, com todo o risco do ridículo e da redundância, mas pelo mero exercício de organizar idéias. Aqui então você não encontrará textos sobre grandes obras ou questões, mas somente quando a música for negativa, banal, precária, surda, visível, risível, ordinária, inverossímil, cotidiana, ativa, volátil, frívola, inaudível, solúvel, desarticulada, insustentável, radical, fragmentada, desarticulada... (complete com o que você quiser).
Escrito por Datilografado por sérgio pinto às 23h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Vim, vi... e empatei!
Aguardem que em breve começarei a postar minhas mensagens.
Escrito por sergio pinto às 23h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|